quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A JÓIA E A ESCULTURA (Omar Franco)

A jóia e a escultura sempre caminharam de forma paralela, com as inovações técnicas e formais absorvidas conjuntamente. Historicamente cumpriram funções de adorno do corpo ou como complementos aos monumentos arquitetônicos, que foi o caso específico da escultura durante séculos. Hoje a escultura está livre da função decorativa e complementar da arquitetura, tem vida e sintaxe própria, como linguagem viva e independente das demais existentes. A jóia tornou-se prisioneira do material que a constitui. Continua adornando cabeças, pescoços, pulsos, orelhas, pernas, dedos, fazendo do corpo um fiel depositário de valores medidos em quilates, onças, gramas e dólares, um verdadeiro baú de pirata ambulante. Sua natureza, beleza e expressão ficam em segundo plano, pois a condição do material utilizado, seus valores intrínsecos, brilho e raridade tornam-se mais importantes que a jóia em si. Talvez seja a única área do fazer artístico, que ainda não conseguiu uma carta de alforria. L Danezy conhece bem essa realidade e possui determinação e talento suficientes para modificar esse quadro, em que a joalheria se encontra. Munida de materiais não convencionais, como metais oxidados e polidos, sem valor econômico, desafia o cânone do poder do ouro, como elemento básico da jóia contemporânea. Despe seu trabalho do brilho desnecessário, deixando a arte emergir em seu mais absoluto esplendor, livre para ser admirada e usada como tal, íntegra e independente como deve ser todo artista, que respeita seu ofício, sem submissão à ordem vigente. Não se trata de uma tarefa fácil, pois a conquista da liberdade implica em lutas e desgastes dilacerantes, mas estou certo de que este é o único caminho a ser seguido por aqueles que desejam transformar a jóia numa linguagem atualizada e independente, verdadeira e honesta forma de expressão artística, como as demais existentes, tirando-a do lugar comum, dando-a o status de uma grande arte, como sempre mereceu. Omar Franco - artista plástico Brasília, setembro de 2001.

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